Uma simples declaração sobre o problema do mal (2011)

 Keith Parsons

Atenção: Meu conhecimento da língua inglesa é irrisório. Traduzi este artigo apenas como puro hobbie e de forma amadora, e provavelmente deve gerar frutos catastróficos. Correções são bem vindas. 



Crentes dizem que Deus é bom. Não só Ele é bom, que Ele é perfeitamente bom, supremamente bom, tão bom quanto pode ser. Deus também é poderoso. Não só Ele é poderoso, Ele é onipotente --- isto é, todo-poderoso. A maioria dos teólogos e filósofos definem "todo-poderoso" como poder fazer tudo, além do que crie uma verdadeira contradição. Então Deus não pode fazer um quadrado redondo, um solteiro casado, um número ímpar ser divisível por dois, etc. Estes exemplos são contradições em termo, assim para existirem, uma contradição deveria resultar em algo verdadeiro [1]. No entanto, se "Deus faz X" - e sendo X algo não contraditório, Deus pode fazer-lo. Ele pode, por exemplo, curar os enfermos, ressuscitar os mortos, partir o mar, transformar água em vinho ou deixar o Silas Malafaia menos homofóbico.

Deus também é dito o criador do universo. Isso significa que tudo existente é obra direta ou indireta dEle. Deus criou diretamente simplesmente por querer que algo fosse*, como o primeiro capítulo do Gênesis relata: Deus diz "Haja Luz"... e assim foi feito. Deus cria indiretamente de duas maneiras.  Primeiro, quando ele cria o universo ele cria a matéria e as leis na qual regem nossos cosmos. Em seguida, através da operação legal e ordenada de processos naturais, novas coisas são trazidas à existência. Por exemplo, se Deus cria as leis e as condições subjacentes ao processo de evolução, a mesma torna um meio indireto no qual Deus cria criaturas orgânicas. Cientistas teístas do século XIX, portanto, usam uma distinção entre "causas primárias" - ações diretas de Deus - e "causas secundárias" - processos físicos pelo qual Deus criou o mundo natural.

Outra maneira de Deus criar indiretamente é através da existência inteligente, "peculiares criaturas" dotadas de livre-arbítrio e dessa maneira agem por conta própria, criando coisas novas. Quando alguns seres humanos pré-históricos criaram a roda, tal revolução foi obra indireta de Deus, pois seres humanos são criações de Deus e Ele os dotou a capacidade de fazer coisas novas. Portanto tudo que é provocado ou criado pela natureza humana é uma criação indireta de Deus.

Entretanto, a natureza e os seres humanos muitas vezes trazem coisas ruins. O mundo natural, na qual opera segundo leis impessoais, produz doenças, defeitos de nascimento, parasitas, terremotos, furacões, tornados, tsunamis, erupções vulcânicas explosivas, impactos de asteroides e todo o sistema na natureza com "garras e dentes sangrentas", pelo qual as criaturas sobrevivem apenas, dolorosamente destruindo outros seres vivos, criaturas com sentimento. Seres humanos abusam de seu livre-arbítrio para fazer coisas terríveis com uns com os outros e para os demais animais. Eles cometem massacres, genocídios e atos de terrorismo; eles torturam, abusam, estrupam, roubam, enganam, oprimem, mentam e enganam.

Seguindo o conceito acadêmico, vamos chamar as coisas ruins, provocadas pela natureza, de "mal natural" e as coisas ruins, provocadas por ações livres de "mal moral". Desde de que Deus criou os seres humanos e natureza, devemos vê-lo, pelo menos indiretamente, sendo o criador do mal natural e moral. Talvez seja ofensivo ver Deus como criador do mal. No entanto, devemos pelo menos dizer que Deus não impede o mal, e sendo ele todo-poderoso, ele poderia fazer isto.

Este conceito de Deus inevitavelmente exige três coisas para ser verdade:
(1) Deus é perfeitamente bom.
(2) Deus é todo-poderoso
(3) Deus não impede a existência do mal natural e moral.

Contudo, com o o filósofo grego Epicuro apontou há muito tempo, estas três afirmações parecem formar um conjunto inconsistente. Ou seja, duas preposições podem estar corretas, todavia as três juntas não. Seu raciocínio era este: Se Deus pode impedir o mal, e se ele é perfeitamente bom, deve evitar o mal. Se Deus é todo-poderoso, então ele pode impedir o mal. Mas Deus não impede o mal. Assim, nós devemos concluir que qualquer Deus não é perfeitamente bom ou não é tão poderoso assim. O raciocínio de Epicuro é perfeitamente traduzível em lógica proposicional e se prova facilmente válido [2].

Desde que a conclusão de Epicuro tem a forma lógica de uma disjunção --- Deus não é onipotente ou ele não é perfeitamente bom --- aparentemente crentes devem escolher qual disjunção aceitar e a outra descartar. Devemos considerar Deus como sendo menos todo-poderoso, ou menos perfeitamente bom? Alguns optam com o primeiro outros com o anterior, mas para os defensores do teísmo tradicional --- crentes cristãos, judeus e islâmicos --- nenhuma opção é aceitável. Para os teístas tradicionais, Deus é, por definição, todo-poderoso e perfeitamente bom, assim desistir de crer em um ser divino com tais características é parar de crer em um Deus tradicional. Para os teístas tradicionais, um Deus que não é todo-poderoso ou não é perfeitamente bom, não é Deus. Assim, a implicação real do argumento de Epicuro é a inexistência de Deus.

Nem tudo está perdido para o teísmo tradicional, no entanto. Se você rejeitar a conclusão de um argumento válido, então você deve desmascarar pelo menos uma de suas premissas como sendo falsa. A premissa potencialmente instável no paradoxo de Epicuro é o primeiro: Se Deus pode impedir o mal,  e se ele é perfeitamente bom, então ele vai evitar o mal. Será necessariamente desse jeito? Deus pode ter razões moralmente suficientes para permitir algum mal? Ou seja, pode ser que alguns males são necessários para a prevenção de males maiores, ou para a realização de um bem maior?

Vamos olhar mais de perto a noção de um ser "perfeitamente bom". Uma boa mãe irá proteger seus filhos, impedindo-os de qualquer sofrimento quando qualquer sofrimento pode ser evitado. Uma mãe humana não pode proteger contra todas os males, e mesmo a melhor mãe pode deixar passar algumas experiências desagradáveis em relação aos seus filhos. Por exemplo, uma inoculação dolorosa pode ser necessária para evitar uma doença ainda mais dolorosa, uma boa mãe permitira uma dor menor para evitar algo maior. Ou considere a lição de casa ser algo penoso, mas que é necessário para uma educação e isso lhe trará um grande beneficio, o suficiente para a labuta valer a pena. Uma boa mãe, portanto, insistira que seus filhos façam a lição de casa, mesmo quando é dolorosamente tedioso para eles. Certamente, então, um ser perfeitamente bom pode impedir a existência do mal, ao menos que esse ser tenha uma boa razão moralmente suficiente para permitir o mal. O que poderia ser uma razão tão moralmente suficiente? Poderia ser situações em que permitir um mal necessário evite um mal ainda pior, ou indispensável para atingir alguns benefícios tão grandes que faz o mal necessário valer a pena.

Mas se este ser perfeitamente bom é todo-poderoso também, como Deus pode ser esse ser? Tal ser poderia impedir que qualquer mal, e assim um mal existirá somente se Deus (o criador todo-poderoso, perfeitamente bom) permite sua existência. Além disso, Deus --- sendo perfeitamente bom --- permitirá um mal somente se ele tiver uma razão moralmente suficiente para permitir que ele exista ( Novamente, "razão moralmente suficiente" é uma situação onde permitir o mal é necessário para evitar um mal maior, ou de outra forma, necessário para atingir um boa situação o suficiente para valer a pena). Vamos chamar todo os males que realmente existem (passado, presente e futuro) de "males reais". Segue-se que o principio P abaixo deve ser verdadeiro:

P: se Deus existe, existe o mal real, então Deus tem uma razão moralmente suficiente para permitir o mal e .

A preposição P é expressa como uma preposição hipotética. Vamos separar a consequentemente dessa preposição e chamá-lo de preposição q:

Q: Para todo o mal, é um mal real, então Deus tem uma razão moralmente suficiente para permitir isso e.

Além disso, vamos definir um "mal gratuito" como um mal que nem mesmo Deus teria razão moralmente suficiente para permitir . Esse mal não pode ser necessário para evitar um mal maior, e igualmente impossível de gerar algo bom o suficiente para fazer  valer a pena a ocorrência desse mal. Consequentemente, se algo é um mal gratuito e se Deus existir, não permitira que tal mal se torne um mal real. Por outro lado, se qualquer mal real é um mal gratuito, logo Deus não existe. O cerne do problema do mal é, portanto, se qualquer males reais são males gratuitos.

Uma versão do problema do mal --- a versão probatória ---, portanto, pode ser colocado dessa maneira: se Q é falso, então, uma vez que é a consequente da preposição P, por modus tollens o antecedente de P, "Deus existe", deve ser falso. Desde de que nós estabelecemos P  por apelo às noções básicas que constituem a nossa idéia de Deus, isto é, que ele dever ser perfeitamente bom e poderoso, P é claramente verdade. Q, por outro lado, parece falso. O mundo está cheio de maldades atrozes que, na medida em que nós podemos dizer, não é necessário para a prevenção de males ainda maiores, ou para a realização de coisas tão grandes que eles fazem valer a pena a ocorrência desses males atrozes. Em suma, parece haver inúmeras instâncias da qual denominamos "males gratuitos", males tão absurdos e evitáveis que Deus, caso ele exista, não permitiria eles. A afinidade de males aparentemente gratuitos são boas evidências de que alguns realmente são gratuitos, por isso temos evidências da falsidade de Q e assim reunimos boas provas da inexistência de Deus.

Suponha, por exemplo, que um relâmpago comece um incêndio florestal na qual destrói milhares de acres e, em seguida, muitos animais dessa floresta morrem queimados, consequentemente. A morte dolorosa de muitas criaturas inocentes certamente servi para ver a incombatibilidade de um ser todo-poderoso não ter conseguido de algum outra forma, deixar tal situação ocorrer exigindo menos sofrimento. Claro, ecologistas nós dizem que as florestas devem ocasionalmente queimar para permanecer saudável, então talvez seja melhor para os seres humanos, como meros seres onipotentes terrestres, deixar alguns incêndios acontecerem. Lembre-se, porém, que não falamos de seres humanos limitados a condições humanas, e sim de um ser todo-poderoso --- que certamente poderia criar maneiras de ter florestas saudáveis sem causar periodicamente mortes horrendas aos habitantes das florestas.

Exemplos de males aparentemente inúteis podem ser multiplicados indefinidamente. Alguns males se flagram tão terríveis que nenhum atendente concebível bom seria grande o suficiente para justificar tais malefícios. O famoso Fyodor Dostoyevsky colocou essa questão dessa maneira nos Irmãos Karamazov: se você pudesse criar um paraíso cheio de seres perfeitamente felizes e moralmente boas (como no céu, supostamente), mas o preço de criar esse paraíso é ter que deixar uma criança pequena morrer torturada de uma maneira terrível e dolorosa, você faria isso? Dezenas de milhares de crianças morrer dolorosamente todo os dias em nosso mundo. Não podemos sequer começar a imaginar o porquê de algo tão bom pode ser o suficiente para se pagar por um preço tão terrível. Nada em nossa experiência ainda poderia nos justificar.

É nesse ponto que se opõem alguns teístas: por que deveríamos esperar sermos capazes de conceber todos os bens que Deus pode realizar? Afinal, como atesta as Escrituras (1 Coríntios 2:9) --- "Mas como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu. E não subiram ao coração do homem, São as coisas que Deus preparou para os que amam." Talvez tenhamos então pouca compreensão do que onipotência pode realizar de fato nas vastas extensões do tempo e do espaço, e não estamos em posição de dizer ou não se Deus pode fazer todos os males como necessários. Simplificando, o argumento probatório do mal pressupõe que o fatos dos males parecem gratuitos implica de realmente serem, mas talvez não seja assim.

Em meu debate com o apologista William Lane Craig em um jornal. ele expôs a questão da seguinte maneira:

Nós não estamos em uma em uma boa posição para avaliar com confiança a probabilidade ou improbabilidade de se Deus tem motivos moralmente suficientes para permitir as coisas ruins.
Um sofrimento que se aparente inútil dentro de uma perspectiva limitada como a nossa pode ser justa na perspectiva mais ampla de Deus. O brutal assassinato de uma criança pode ter um efeito cascata através da história, e tal razão para Deus não impedir esse homicídio pode surgir apenas século mais tarde, até mesmo em outro país (Dallas Morning News, 13 de Junho de 1998) 

De acordo com Craig, não temos motivos para dizer se é provável ou improvável que Deus tem uma razão moralmente suficiente para permitir o mal, e portanto, não podemos afirmar que males são anormais só porque eles parecem assim para nós. Note, no entanto, que Craig acaba enrolando todas as possibilidades. Craig nega que o ateu tem boas razões para recusar Q como falsa, mas em seguida, estas mesmas razões inferiores justificam o teísmo alegando a veracidade de Q. O argumento de Craig repousa alegando o nosso desconhecimento das realizações boas que um ser onipotente pode proporcionar. Não importa o mal bruto, Craig pensa que pode --- um dia, em algum lugar, de alguma forma --- tudo acabar em pizza, sendo essa mal bruto necessário para realização de alguma coisa boa. A nossa resposta: Talvez não.

A sugestão de Craig é e não deixara de ser, nada mais do que uma especulação, ou uma declaração de fé.  Talvez nenhum bem realizável (realizável até mesmo por Deus) é bom o suficiente para resgatar os mais grosseiros males. Ou se é, talvez Deus poderia ter trazido algo bom sem muito mal (afinal, ele é todo-poderoso). Se nós não temos nenhum indício quais tipos de bens podem ser realizáveis inevitavelmente sem qualquer mal ( inevitável mesmo, até para Deus), então nós realmente não podemos atestar nenhuma dessas afirmações. Em suma, se o argumento de Craig é válido, todos temos de ser agnósticos sobre a preposição Q - sejam ateus ou teístas. Nenhum de nós está em posição de julgar com qualquer confiança se Deus provavelmente tem motivos moralmente suficientes para permitir males. Nesse caso, porém, não devemos ser igualmente agnósticos em relação a existência de Deus? Podemos mesmo estar confiantes de que Deus pode existir? Considere um paralelo: poderiam os coalas viverem em um estado selvagem no Texas? Bem, desde de que coalas comem apenas folhas de eucaliptos, eles apenas podem viver de maneira selvagem se lá crescerem tais folhas. Caso eu tenha a informação de que eucaliptos possam se estabelecer ou não no Texas, nunca terei a certeza de que coalas possam viver ou não nessa estado americano.

Da mesma forma, se todo o mal real não é gratuito, ou seja, se um criador todo poderoso perfeitamente bom teria uma razão moralmente suficiente para permitir o mal, então (tanto quanto eu sei) Deus poderia existir. Por outro lado, se qualquer mal real (mesmo sendo apenas um) é gratuito, ou seja, um ser  criador onipotente e benevolente não teria uma razão moralmente suficiente para permitir isso, então Deus não pode existir. Se, como Craig afirma, temos nenhuma maneira de saber com um algum grau de confiança, se Deus teria ou não motivo moralmente suficientes para permitir males reais, então não temos nenhuma maneira se Deus pode ou não existir. Quem quer ter motivos para afirmar a existência de Deus deve ter concomitantemente motivos para saber se nenhum mal é gratuito, mas quem dá razão para Criag parece negar saber ter motivos para está última alegação.

Não teria uma maneira, porém, de termos evidências independentes para a existência de coalas (ou Deus)? Se uma próspera  colônia de coalas situa-se num grande matagal, sabemos que eles podem viver no Texas mesmo não tendo nenhum conhecimento sobre a viabilidade de eucaliptos crescendo no Texas. Na verdade, a presença de Coalas iria mostrar que deve haver árvores de eucaliptos lá, mesmo se não encontramos. Da mesma forma, não poderíamos ter evidências independentes para a existência de Deus de tal forma que, se a evidência é forte o suficiente, poderíamos estar confiantes de que uma vez que Deus existe, ele deve ter razões moralmente suficientes para permitir os males reais? Ou seja, evidências independentemente suficientes para permitir a existência de Deus: se Deus existe, então o problema deve ter uma solução, mesmo não sabendo exatamente qual o é.

Mas a viabilidade desta posição depende de outros tipos de provas. Os argumentos mais populares para a existência de Deus não conclui que o Deus de alguma religião existe, e sim que existe um criador menos específico, uma causa primeira. Por exemplo, o atual movimento do "design inteligente" não pretende mostrar o DI como sendo o Deus cristão, só que o universo teve um designer inespecífico. Da mesma forma, talvez o argumento mais popular da teologia atualmente é o do "fine-tuning". O argumento afirma que as constantes físicas fundamentais do universo são "afinadas" para a vida complexa e que isto apenas aconteceria se existisse um criador inteligente na qual criaria a vida inteligente intencionalmente. Contudo esse criador de qualidades vagas traria dúvidas sobre os seus atributos morais. E precisamente os atributos morais é que são trazidos a tona na questão do problema do mal. Se o "afinador" ou a causa primeira não é perfeitamente bom, então não pode ser Deus. O resultado  é que essa teologia apenas pode ter sucesso se o problema do mal é resolvido. Caso contrário, esses argumentos não conseguem estabelecer a existência de Deus, mas no máximo um designer enigmático. Assim a teologia natural não dá ao teísta nenhuma esperança de evitar o confronto com o problema do mal.

O argumento de Craig --- as vezes chamado de "defesa do propósito desconhecido" (UPD, em inglês) ---- São implantador por teístas afim de bloquearem argumentos ateístas do problema do mal.  Como observei com o exemplo do fogo na floresta, ateus frequentemente argumentam que existem tantos males aparentemente gratuitos no mundo --- males que parecem ser inúteis, evitáveis ou esmagadoramente terríveis --- que certamente é provável que um ser todo poderoso poderia, assim como sendo perfeitamente bom, ter evitado pelo menos alguns deles. Portanto, a existência de tantos males aparentemente gratuitos  é uma forte evidência contra a existência de Deus. No entanto, apelando para supostos fins desconhecidos, teístas negam que males na qual parecem absolutamente inúteis para nós não fornecem qualquer prova de que realmente são anormais. Afinal, alegam, simplesmente que não temos a capacidade de classificar os produtos de um ser onipotente, nem podemos ter qualquer noção das formas complexas em que males podem ser mostrar necessários para a criação de produtos bons.  Por analogia, ratos de laboratório não podem começar a compreender as razões de o porque eles são colocados em apuros em experiências médicas. Talvez nós não somos capazes de compreender as angústias que Deus coloca. Está conclusão é expressa na poesia esplêndida do livro de Jó.

Mas que tais apelos do fim desconhecido sirvam para bloquear o argumento probatório do argumento do mal, existe um grave inconveniente. A impossibilidade de se saber os propósitos de Deus aplica-se também aos teístas, tanto como faz nos ateus. Por exemplo, teístas devem confirmar que Deus permitiu o fogo na fábrica de Shirtwaist, no triângulo da cidade de Nova York em 25 de março de 1911, em que 146 pessoas, principalmente meninas e mulheres jovens, foram queimadas até a morte. Os gestores, pelo que parece, tinham bloqueado as saídas para os trabalhadores. Que bom concebível poderia se resultar nessa situação - especialmente quando se tratamos de um Deus onipotente - para permitir este terrível incêndio? Teístas não podem oferecer nenhuma pista sobre que bom seria esse, ou porque ele exigiu mal tão horrendo, mas eles estão, no entanto, confiantes de que Deus tem uma razão moralmente suficiente. Com que fundamentos possíveis, porém, eles baseiam sua confiança de que Ele tem a probabilidade de fazer isso em vez de não fazer?  E se não houver motivo razoável para tal confiança, então não há motivos razoáveis para a possibilidade de um ser perfeitamente bom e todo poderoso exista.

A UPD é provavelmente a mais poderosa arma no arsenal do teísta para lidar com o problema do mal. Ainda assim, como já vimos, se parece mais perigoso para seu usuário do que para o alvo. Além disso, ele falha mesmo se admitirmos sua reivindicação principal. A UPD afirma que nós não podemos apelar para o fato de um mal parecer gratuito como prova de que ele realmente é. Mesmo se nós aceitarmos a questão do argumento, as probabilidades parecem ser esmagadoras contra os teístas em relação a existência do mal. Suponha que uma vez os primeiros seres viventes com os primeiros receptores neurologicamente avançados para permitir a dor (no período Paleozoico), de lá para cá existiu 1 trilhão (10 ^ 12) instâncias imerecidas, sofrimentos indesejados. O teísta deve provar de alguma maneira ser possível que Deus teve razão moralmente suficiente para permitir cada um dos trilhões de casos de sofrimento. Em outras palavras, uma não pode ser gratuita. Obviamente, um ser não pode ser perfeitamente bom se ele permite qualquer quantidade de sofrimento inútil que facilmente poderia impedir. Assim, se um Diplodocus sofreu desnecessariamente no Jurássico, então Deus não existe.
Pois se nós temos na história 1 trilhão de instâncias indesejadas e sofridas, o teísta deve esperar que cada instância tem zero de chance de ser gratuito, caso contrario a probabilidade da disjunção destas probabilidades individuais na casa dos trilhões cria uma probabilidade muito alta de que pelo menos um é um mal gratuito. Que fundamentos racionais alguém poderia ter de estar extremamente confiante de que nenhuma criatura senciente em qualquer lugar nunca sofreu desnecessariamente? Partindo disso eu afirmo que teístas não tem nenhuma base racional para tal garantia, o ônus está com eles.

Alguns teístas terão que se esforçar para explicar por que Deus permite a maldade, ainda mais os males horrendos. Suas veneráveis teodiceias tentam explicar o porquê Deus permite o mal a nossa volta. Entre as teodicéias recentes famosas são as de Richard Swinburne E John Hick [5]. Existe diferenças entre as defesas dos dois, mais ambos detêm que Deus permite a maldade para dar aos seres humanos oportunidades necessárias. Apenas superando a adversidade e duradouras penúrias pode se criar seres humanos compassivos e corajosos. Na verdade, John e Swinburne salientam que uma vida sem desafios ou desconfortos criaria um celeiro de tolos no paraíso, na qual produziriam nada, uma raça de preguiçosos, apáticos e egoístas. As grandes almas da história - Martin Luther King Jr, Luis Pasteur, Inri Cristo, Albert Schweitzer, Sócrates, Buda e assim por diante - alcançaram a grandeza superando o mal moral ou natural. O desejo de acabar com o sofrimento é o desejo de acabar com tudo que pode motivar uma vida gloriosa, surgindo no lugar uma indulgência insípida.

Quando estas engenhosas teodicéias soam convincentes na superfície, eles aquém agora lidar com o problema do mal. Eu acho que a palavra final sobre todos esses esforços foi capturada eloquentemente pelo grande filósofo cristão Alvin Plantinga:

Por que Deus permite o mal horripilantes em seu mundo? Como eles podem ser vistos como parte de sua a criação motivada pelo amor a suas criaturas...? O cristão deve admitir que não sabe. Ou seja, ele não sabe em detalhes. Em um nível muito mais geral, saiba que Deus permite o mal porque através disso Ele pode alcançar um mundo muito mais virtuoso de que se agisse efetivamente na manutenção moral do mundo. Mas a razão disso não é porque, por causa de nossa visão limitada, não podemos ver que um male pode gerir na manutenção de coisas melhores, e esse seria o motivo de Deus permitir o mal horrível. Se não podemos ver isso, não podemos pensar como uma possibilidade muito boa. E aqui devo dizer que a maioria das tentativas de por que Deus permite o mal - as teodicéias - parecem-me mornas, superficiais e, finalmente, frívolas. Talvez o mal possa nós fornecer uma oportunidade para o crescimento espiritual? Alguns males sim, podem ser vistos dessa maneira; mas muitos não conduzem ao crescimento, e sim para o desastre espiritual. Como apontar então a existência do mal fornece a oportunidade para tais bens, como a exibição de misericórdia, simpatia, auto-sacrifício, serviços aos outros? Sem dúvida alguma alguns males  pode ser visto dessa forma... Mas muitas maldades parecem provocar crueldade em vez de amor sacrificial. E nenhuma dessas sugestões, penso, leva com seriedade suficiente a hediondez pura de alguns males que vemos [6].

Assim, Plantinga pensa que os cristãos devem admitir que não sabem o porquê Deus permite o mal. Ele acha que, apesar disso, os cristãos ainda podem ter a confiança que Deus deixa o mal existir por boas razões. Mas como? Como penetrar na parede imponderável, criado por Craig e outros defensores do UPD? Se as capacidades e oportunidades de onipotência são desconhecidas, então eles são desconhecidos e pronto. Nenhum de nós pode dizer com confiança se Deus provavelmente, ou não, tem boas razões para permitir males. Nesse caso, nenhum de nós pode dizer com confiança que Deus existe.

Fonte: http://www.infidels.org/library/modern/keith_parsons/evil.html

Um comentário:

  1. gostei muito. os textos são longos, não deu tempo de ler todos.
    gostei do tom que questiona 'as verdades absolutas' que a sociedade acredita existir.

    abraço.
    =) continue a escrever. está lindo!

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