O argumento da existência de não divindades




HORIA PLUGARU

Introdução 

Este Trabalho defende o argumento de que se o Deus teísta tradicional existe, então há fortes razões para pensar que existiria apenas divindades. Eu chamo isso de " O argumento da existência de não divindades " (AEND, em inglês). Se o argumento for bem sucedido, Deus não teria motivo racional para criar o mundo em que vivemos, no qual contém não divindades. Mas desde que o mundo atual claramente existe, segue que (uma máxima racional) Deus não existe.

O Argumento da existência de não divindades 

O AEND pode ser formalmente declarado da seguinte forma:

   1-  Se o Deus teísta existir, então o mundo que ele criaria apenas conteria Deuses - ou seja, seres que possuem os maiores atributos possíveis
   2- O mundo existente não contém apenas deuses; com efeito, neste mundo existem apenas não divindades.
   3- Portanto, o Deus teísta não existe ( A partir de 1 e 2, por modus tollens )

Defendendo a premissa 1 

De acordo com o teísmo, Deus é, acima de tudo, um ser perfeito. Ele é pessoal, onipotente, onisciente, e benevolente (moralmente perfeito e todo-amoroso). Um leigo com certeza daria essa definição. Uma versão mais sofisticada também dotaria Deus um ser perfeitamente racional, completamente livre, eterno ( sem começo e sem fim), imutável e que necessariamente existe.

As perspectivas leiga de Deus, assim como sua mais sofisticada, tem sido criticadas como ininteligíveis ou incoerentes. Como um leitor anônimo de um livro anterior meu aponta:

Eu acho a idéia de "existência necessária" ininteligível. Na minha opinião, é sempre possível que algo não exista, mas mesmo se eu estiver errado, isto é, seja necessário que existam coisas que eu presumia não existir, não faz nenhum sentido o argumento que há algo em particular que exista necessariamente. Como Hume disse, tudo o que pode ser concebido como existente pode ser concebido como não existente. Há muitos problemas que surgem quando se mistura em um ser onipotência e outras propriedades máximas teológicas. Suponha que algo seja onipotente e onisciente, tal algo seria capaz de aprender algo novo? 

Por uma questão no argumento, entretanto, vou assumir aqui tanto o conceito leigo quando o sofisticado de Deus como significativos e coerentes. Teístas geralmente argumentam que Deus está sob nenhuma obrigação moral, lógica ou metafísica, de criar qualquer coisa, Se, no entanto, ele decide criar, ele faz por amor e generosidade.

Pensando que Ele resolveu criar algo, quais os atributos colocaria em sua criatura? Atributos que se assemelhem a sua própria: se Deus é perfeito, todos  os seus atributos são bons. Além disso, todos os atributos que são bons existem em Deus, nenhum falta nele. Caso contrário não seria perfeito. Assim, por exemplo, uma vez que Deus é um ser pessoal, e sendo que ele é uma pessoa maximamente generosa e boa em si mesma, Ele criaria uma ser pessoal. Se Deus é todo poderoso, e por isso ser todo-poderoso é uma coisa boa, sua criatura também seria poderosa. Se Deus é onisciente, e portanto ser onisciente é bom , sua criatura teria todo o conhecimento. Se Deus tem o livre-arbítrio, e ter livre-arbítrio é uma coisa boa, assim sua criatura teria o livre-arbítrio. E assim por diante para o restante dos atributos divinos.

Mas até que ponto Deus criaria um criatura com tais atributos? Bom, se um ser perfeito que cria por livre espontânea vontade não cria menos do que o melhor possível, então sua criatura possuiria os atributos acima mencionados com o mais alto grau possível. Se por exemplo, o maior grau possível que alguém pode ter é onipotência, ou seja, ser capaz de fazer qualquer coisa que é logicamente possível, Deus não criaria um ser menos do que onipotente, o melhor possível logicamente. Deus é um criador perfeito, logo ele não escolheria qualquer coisa senão a onipotência de sua criatura. Por razões paralelas, Deus faria isso com o restante dos atributos. No teísmo leigo, onisciência e benevolência. No teísmo sofisticado, racionalidade perfeita, livre-arbítrio, eternidade e  ser imutável.

Se esta linha de pensamento estiver correta, um Deus perfeito no qual escolhe criar algo, criaria nada menos do que um outro Deus ( um ser onipotente, moralmente perfeito, todo-amoroso). Se aceitarmos o teísmo sofisticado, a criatura de Deus seria igualmente perfeitamente racional, completamente livre, imutável, eterno, etc. Irei me referir  "Deus" com palavra minúsculas os seres criados pela divindade primordial. Assim, como Deus é considerado o maior ser concebível, suas criações podem ser vistas como os maiores seres concebidos criados.  

Obviamente, este tipo de deus não tem as características essências de Deus de acordo com o teísmo sofisticado: ele não existe, necessariamente, mas contingentemente, dado o fato de que Deus lhe trouxe à existência por um ato do seu livre-arbítrio, e não por qualquer obrigação de faze-lo. Consequentemente, o criado de Deus não é eterno no sentido de existência sem começo e sem fim, mas apenas no sentido de ser imortal, ter uma existência sem fim. [1]  

Quantos desses deuses Deus criaria? Ora, se um ser é trazido à existência por um ser moralmente perfeito, sua existência é um coisa boa. Mas Deus, que é moralmente perfeito, onipotente e perfeitamente racional, com absoluta certeza não iria parar em fazer apenas uma coisa boa, se Ele é capaz de criar mais delas.

Se criar um Deus é bom, então criar dois deuses é melhor.  Mas a criação de três deuses é ainda melhor do que criar apenas duas. E assim por diante, ad infinitum. Deus iria querer criar tantos deuses quanto possível, a fim de dar maior número deles a oportunidade de desfrutar a felicidade infinita, que decorreria da comunhão com Deus e a comunhão com os outros deuses, além de estar tão perto da perfeição quanto o possível. Se um infinito real não pode existir na realidade, Deus iria realizar o maior número possível de deuses, algo como trilhões em trilhões e trilhões - um numero ilimitado. De qualquer forma, ele criar uma multiplicidade absurda de deuses, como afirma a primeira premissa do AEND. Vamos chamar esse mundo com Deus e os outros deuses de "mundo A".

Este cenário é logicamente possível? Aparentemente sim. Se Deus é onipotente, ele pode realizar tudo que é logicamente possível. Supondo que Deus existe, segue-se que ele todos os seus atributos, tomados separadamente ou em conjunto, são logicamente possíveis. Eu não vejo nenhuma razão por que Deus não poderia criar um ser que sabe tudo, que é moralmente perfeito e livre. Assim, Deus é realmente capaz de criar um outro ser no qual compartilha seus atributos - com exceção da existência necessária. Nem parece ser problemático dois seres coexistirem com tais atributos. Onipotência até poderia levantar dificuldades - por exemplo, poderia haver mais de dois seres onipotentes? Não cancelariam ou limitariam um ao outro? A resposta é não. Como todos os seres maximamente piedosos, seriam também perfeitos, oniscientes e perfeitamente racionais. Assim nenhuma discordância poderia surgir que levaria a eles usarem seus poderes de maneiras diferentes e contraditórias. Se adortarmos uma interpretação popular de onipotência - ou seja, que uma divindade é onipotente, no qual é capaz de fazer qualquer coia de acordo com sua natureza, então não pode haver qualquer situação onde dois ou mais deuses entrem em conflito, pois tem a natureza perfeita.

O que os seres piedosos e perfeitos criados por Deus poderiam fazer com sua onipotência? Sem sombra de dúvidas, iriam usar da mesma forma que Deus usou - para trazer a existência de mais deuses, com as mesmas razões que o primordial fizera. Se infinitos reais não existem na realidade, cada deus produziria um número limitado de deuses. Agora, se um infinito real existir? Ainda seria possível adicionar novos deuses para o mundo A? Sim, por que é possível adicionar um novo infinito real a um já existente, como é o caso do pensamento do Hotel Hilbert.

Considere um hotel hipotético com um número infinito de quartos. Cada quarto contém um convidado. Seria possível o hotel acomodar mais hospedes? Sim, movendo a pessoa do quarto 1 para o aposento 2, o 2 para 3, e assim sucessivamente. Assim todos os quartos de número impar estarão livres para novos hóspedes. Se conclui que se Deus criou um número infinito de deuses, os mesmo vão criar um número infinitos de deuses. Na verdade, uma vez que deuses não são seres materiais, ele não ocupariam qualquer espaço, então não é necessário mover cada deus assim como é  preciso mover um hospede do Hotel Hilbert para um novo comodo. Os deuses criador por outros deuses teriam exatamente os mesmo atributos que os mesmos: seriam pessoais, onipotentes, oniscientes, perfeitamente racionais, etc.

A partir daqui irei considerar a relação com os deuses e o tempo como estritamente temporais, apesar de não ser ininteligível de serem atemporais.

Com certeza, é difícil senão impossível descrever com exatidão como Deus criaria outros deuses, e, em seguida, como esse outros deuses criariam outros deuses, e assim o argumento cai em um problema de modus operandi ". Mas este não é um problema para o AEND em si. O objetivo desse argumento não é resolver tais contratempos, mas apenas para argumentar que, se Deus existe e decide criar algo, então ele iria realizar um mundo que contém uma multiplicidade de deuses." [2]

É interessante notar que a primeira premissa do AEND tem algum apoio bíblico: " Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está no céus "( Mateus 05;48). Se Deus quer que suas criaturas sejam tão perfeitas como ele é, então seria razoável para Ele criar deuses em vez de seres humanos, uma vez que somente um deus poderia ser tão perfeito como ele é.

O Mundo A tem três características que certamente iriam agradar a Deus o máximo possível: é absolutamente livre do mal (1), da feiúra [3] e (3) do ceticismo sobre a sua existência. Na verdade, as características perfeitas de suas criações os impediriam de fazer qualquer coisa de errado, assim como Deus nunca faz nada de errado. O mundo A contém a maior quantidade possível de amor e harmonia entre todos os seus habitantes. Além disso, os deuses vão saber da existência de Deus e devem querer garantir sua felicidade com Ele. Assim, sem exceção, todos eles seriam profundamente gratos a Deus e escolheriam livremente o adorar e o apreciar como seu criador. Cada um desses deuses será feliz, especialmente na campainha de Deus e outros deuses.

Se o mundo A é perfeito, é discutível o porquê ( independente de existirem infinitos reais) de novos habitantes sempre poderiam ser adicionados a ele, e sua a ausência de algum deus o tornaria menos perfeito. Supomos que existem dez deuses no momento T, este mundo não é inferior ao mundo no momento S, quando contém onze deuses. O mundo T pode ser diferente do mundo S, mas ambos são perfeitos. O fato de que o décimo primeiro deus está faltando no mundo no momento T não significa necessariamente que ele foi prejudicado de alguma forma, pela simples razão que ele não existia em A no momento T. Como David Benetar observa: " A ausência de prazer não é ruim se não houver alguém para quem esta ausência é uma privação. [4] Assim, é possível tanto para o mundo A no instante T ser perfeito, por que ele não contém nada de negativo que poderia prejudicar sua perfeição. Não existe algo para que A no momento S ser preferível ao mundo T em A porque contém mais um ser infinitamente feliz, apesar de ambos os mundos serem perfeitos. Contudo, ma minha opinião, o fato do mundo S ser preferível a um mundo T implica que o mundo A em T pode ser melhorada, e tal espaço para melhorias são sinais que T em A não é verdadeiramente perfeito.

Não obstante, assumindo que é irracional ( como eu acho que é) criar um mundo perfeito, o mundo A ainda pode ser considerado como o melhor mundo possível, no sentido que é o melhor mundo criado no qual pode logicamente existir. Ou seja, mesmo que A no instante S seja superior no instante T, este último ainda é o melhor mundo possível que poderia existir em T, mesmo ele não sendo verdadeiramente perfeito.

Não podemos dizer se justamente o nosso mundo é melhor mundo possível logicamente. Todavia, é indiscutível o mundo A ser melhor do que o mundo real (vou denomina-lo mundo B).

As diferenças entre o mundo A e o mundo B são astronomicamente preferíveis à A. No mundo B existem grandes quantidade de mal terríveis ( como estupro, assassinatos, roubos, guerras, etc) e natural (como terremotos, tsunamis, doenças, etc). Bilhões de habitantes do mundo B jamais terão uma crença teísta e consequentemente jamais vão dar seu devido agradecimento à Deus, amando e adorando-o. A afirmação de que o nosso mundo real, o mundo B, é o melhor possível, me parece tão absurda que muitas vezes foi justificadamente ridicularizada. [5]. Portanto, mesmo se o mundo T em A fosse perfeito, nem que fosse longe de ser verdadeiramente perfeito, de maneira indiscutível é muito superior ao mundo B, independente do número de deuses que ele conteria a qualquer momento no tempo. Assim, se o Deus perfeito do teísmo clássico existe, ele definitivamente não iria querer B em vez de A.  

Além disso, Deus não criaria o mundo A e B simultaneamente. Primeiro, a união de A com B ( vou chama-lo de mundo C) seria inferior ao mundo A. Sim, existiram elementos agradáveis de A, contudo as desgraças do mundo B não tornariam C perfeito. Em segundo lugar, seria injustiça criar dois parâmetros tão distintos: de um lado seres com o mais alto-grau possível e eternos e do outro, seres imperfeitos propensos ao pecado e ao sofrimento, além de terem o eterno risco de irem para o inferno, ao contrário do mundo A. Para evitar essa injustiça, Deus teria que escolher entre A e B. [6].

Por estas razões, concluo que a primeira premissa esta definidamente defendida: Deus iria preferir o mundo A em vez de B e nunca iria criar algo diferente de A.

Comentários sobre o AEND 

O AEND é uma versão do que se pode ser chamado de o argumento da imperfeição, cuja a forma geral pode ser expressa:

A - Se o Deus perfeito do teísmo existir, então ele só poderia criar (e permitir existir ) um  mundo perfeito.

B- O mundo existente não é perfeito

C- Portanto, o Deus do teísmo não existe. [7] ( a partir de 1 e 2 por modus tollens)

Portanto, o AEND é apenas um refinamento de um argumento ateológico, onde a ideia de um mundo perfeito é melhor explicada.

A importância do AEND encontra-se em sua descrição de um mundo logicamente possível que, na suposição da existência de Deus, é muito mais sensato e intuitivo do que o mundo existente. O mundo A é exatamente o tipo de mundo que esperamos existir se Deus existe. Ele é visto como um criador generoso e perfeito, então devemos esperar dele dar seus atributos as suas criaturas. Deus quer que suas criaturas sejam infinitamente felizes, no qual ocorre em toda a extensão do mundo A. Deus também quer criaturas livres nos quais não cometem nenhum mal moral. Isso igualmente se realiza na situação A. Uma entidade  teísta perfeita também quer que todos o amem o máximo possível, um atributo existente nos seres no mundo de deuses.

Por outro lado, o mundo B nem chega perto das perspectivas que esperamos de um Deus perfeito. Habitantes do mundo B estão longe de serem perfeitos, seja: cognitivamente, moralmente e fisicamente, todos nós somos limitados. Bilhões de seres humanos padecem de felicidade, tendo uma grande quantidade de mal moral e o sofrimento trazidos por catástrofes naturais. Uma grande parte do mundo B nunca teve uma crença teísta e, consequentemente, nunca adoraram Deus.

Tendo em conta os fatos, Deus nunca iria criar B em vez de A. Isso é certo.

Com certeza, o argumento que não vivemos no melhor mundo possível no qual Deus teria que criar não é nova. Por exemplo, o ateologo John L. Mackie argumentou que a existência de Deus é logicamente incompatível com a existência do mal, já que é possível Deus ter criado um mundo onde pessoas sempre livremente escolhem o bem. Como ele coloca:

Se Deus fez os seres com a capacidade de escolha, e sendo que as vezes eles preferem o bom e às vezes o mal, por que ele não poderia ter feito seres que sempre livremente escolhem o bem? Se não existe impossibilidade lógica de alguém escolher o bem algumas vezes, não existe possibilidade lógica em escolher livremente o bem em todas as ocasiões.  Em vez de se fazer seres que faziam coisas erradas, caso Deus quer um mundo livre do todo o mal, a melhor possibilidade seria fazer seres que agiriam livremente, contudo iriam sempre para o melhor caminho. 

Em todo o caso, o significado de seres para Mackie é ambíguo e confuso. Que tipo de ser é esse que Mackie se refere como livre para sempre ir para a direita? Seria seres humanos ou seres metafisicamente superiores, como deuses?  Alvin Plantinga, o mais famoso crítico do argumento de Mackie, aparentemente interpreta "seres" como sendo seres humanos, como demonstrou em  seu livro Deus, a liberdade e o mal (1977).  Plantinga rejeita o argumento de Mackie utilizando um um caso hipotético de ser humano, Curley Smith. Para esse apologista cristão, todo o homem sofre necessariamente de um " complexo de pravação", isto é, em todos os mundos possíveis que Curley Smith existe, ele pelo menos comete um ato moralmente condenável. Desse jeito, como não é possível criar um mundo em que um ser humano sempre faça o certo, isso significa que Deus não pode criar um mundo segundo Mackie, pois a onipotência se restringe a fazer o logicamente possível.

Contudo, se utilizarmos deuses no lugar de seres humanos, o argumento de Mackie triunfaria diante da réplica de Plantinga. Afinal, nós sabemos que de maneira inata todos nós somos criaturas falíveis, que sempre acabamos escolhendo cometer um ato moralmente errado pelo menos uma vez. Dessa maneira o "complexo depravação" para ser algo bem possível. Mas como o AEND demonstra, o mesmo não pode ser dito sobre seres moralmente perfeitos, oniscientes, perfeitamente racionais como deuses. Não podemos alegar que Deus sofre do "complexo da depravação", pois senão ele não seria perfeito. O mesmo pode ser alegado com sua criaturas divinas perfeitas, eles não podem sofrer do "complexo da depravação" pois são seres igualmente perfeitos, racionais, etc.  O AEND deixa claro que existe pelo menos um mundo em que agentes livres sempre escolhem o eticamente necessário. Portanto Deus poderia criar um mundo com criaturas livres de não cometerem qualquer mal.

E ainda, existem outros filósofos no qual argumentam que Deus poderia ter melhorado o mundo real de qualquer mal criando seres humanos com maior inteligência ou uma tendência de fazerem o moralmente correto [10]. Outros ainda explicam que um mundo onde seres humanos não tem livre-arbítrio é de certa forma superior ao nosso mundo.[11] Todavia por que supor que Deus, caso exista, criaria seres humanos se ele poderia criar algo bem melhor, os deuses? Então a própria existência do ser humano é em si uma prova contra o teísmo clássico.

Se é possível que exista um mundo livre de qualquer mal no escopo teísta, como o AEND demonstra, então qualquer miníma existência de mal e de descrença podem ser considerados uma prova contra a existência de Deus. Para contrastar essa tese, considere o que Theodore M. Drange diz sobre o mundo B: Deus não deve simplesmente eliminar todo o mal do mundo, pois definitivamente a existência do sofrimento o faz melhor do que qualquer outro mundo, então é necessário que exista sofrimento em algum nível. Muitos exemplos poderiam ser citados aqui, mas apenas considere que a vida das pessoas seria demasiadamente agradável para ser agradável em si [12]. Mas o AEND mostra que não existe nenhuma necessidade para qualquer quantidade de mal. Assim como Deus não precisa do mal para evitar o tédio, os habitantes do mundo A não precisam de qualquer mal. Logo, as objeções de Theodore não fazem muito sentido.

O mesmo pode ser dito em relação a descrença. Uma vez que o mundo B contém não-teístas, segue-se que nosso mundo não pode ter sido criado por um Deus perfeito. O argumento também defende que Deus não iria criar um mundo com desavenças entre os teístas sobre as questões doutrinárias cruciais. No mundo A não existe nenhum desacordo sobre a natureza dEle entre os deuses, nem mesmo a menor discordância. Isso seria a situação mais lógica diante da perfeição criacionista de Deus.

Em suma, o AEND fornece suporte para um contra-argumento de toda a apologética teísta, demonstrando que um Mundo criado por Deus não conteria o menor dos males ou deficiências.

Objeções ao AEND e respostas 

Objeção 1( O1): A primeira premissa do AEND afirma que Deus apenas criaria um mundo que contém exclusivamente deuses perfeitos sem qualquer mal, o denominado mundo A. Mas isso está longe de ser verdade, uma vez que no mundo A não existe uma série de bens bem proeminentes. Alguns exemplos destes bens são: a curiosidade intelectual, a disciplina, o poder de resistir a tentação, compaixão, perseverança e coragem. Não fica claro então porque Deus necessariamente escolheria A em vez de B.

Resposta: Os bens citados acima não são intrinsecamente valiosos. Ele são apenas bons em certas situações que apresentam certas dificuldades ou deficiências que precisam ser contrabalanceados por esses bens. Uma vez que no mundo A não existe qualquer dificuldade ou deficiências para serem superadas, se conclui que a ausência deles no mundo A não faz para prejudicar sua preferência na escolha de Deus em relação ao mundo B.

Considere a curiosidade e a disciplina. Como defendi anteriormente, esse valores não são bons em si mesmos. Ele são importantes quando apresentamos uma certa ignorância, pois eles nos dão determinação para aprender efetivamente. Se já sabemos de tudo ( se temos os maiores atributos possíveis) temos necessariamente tudo que é útil para nós. Nem mesmo a aprendizagem pode ser vista como algo necessariamente bom. No mundo B aprender é bom uma vez que é a única maneira de se obter conhecimento. Mas no mundo A isto não é necessário, todos já são oniscientes e os deuses sabem tudo que é para saber. E devemos ser compassivos quando existe alguma dor para ser consolada. Mas seria melhor não existir sofrimento do que existir sofrimento para ser aliviado e exercemos qualquer compaixão. A ausência de mal no mundo A é preferível ao sofrimento generalizado do mundo B. Portanto, mesmo que todos os habitantes sejam moralmente perfeitos e extremamente compassivos, a compaixão não existe simplesmente por não ser necessária. Desde de um mundo sem sofrimento seja preferível ao mundo com sofrimento, um mundo onde não é necessário a compaixão é melhor do que mundo onde seja necessário. [14]

Nicholas Everitt chama a atenção para uma questão semelhante a respeito da virtude de se resistir a tentação: " Dado que os seres humanos são susceptíveis a tentação, é interessante que eles nós tenhamos algum poder para resistir a tentação. A propriedade do segundo quesito serve para neutralizar o efeito do primeiro. Mas o combate não é valioso se não existe a tentação, e o melhor é que ambos não existam. [15]

A perseverança é a constante persistência apesar das dificuldades, obstáculos ou desânimo. É algo muito útil no mundo B, no qual existe dificuldades em excesso, mas seria completamente inútil onde não existem dificuldades de qualquer tipo.

Assim, a ausência desses bens, tal como compaixão, coragem e etc, não apresenta um problema de imperfeição no qual Deus poderia preferir B em vez de A. Ao contrário, sua existência no mundo B indica a perfeição de B.

Mas, talvez, algum crítico poderia contestar afirmando que obter a felicidade de maneira tão fácil ( ou seja, ter todos os atributos de Deus e estar na presença de Deus e de outros deuses) não é justa, deveria existir algum tipo de esforço sério para se obter isso. Caso contrário, esses tipos de deuses estariam condenados a serem bons por Deus. No entanto, é bom lembrar que a liberdade e ações de Deus no primeiro mundo é completamente "grátis" e suficientes em si mesmas. Se as as ações de Deus não podem ter algum significado moral, nunca poderiam ser louváveis. Mas está consequência é, obviamente, rejeitada pelos teístas. Portanto, se as ações de Deus tem algum significado moral, então as ações e existência de outros deuses da mesma forma carregam significado moral.

Ralph Wagenet descreve a liberdade de Deus da seguinte maneira:

[Deus] não é vinculado a qualquer contenção inadequada ou involuntária. Mas isto não é a mesma coisa que a ausência de todas as restrições. Claramente não é nenhuma escravidão respeitar as restrições que o Senhor tem escolhido, que são consistentes com quem você é e o que você deseja. O oposto da liberdade é a compulsão, sendo obrigado a agir com sua consciência e valores. Deus é absolutamente livre, pois ninguém e nada podem o forçar a fazer uma ação que Ele acha repugnante. [16]

Todos os seres de Deus no mundo A possuem exatamente o mesmo tipo de liberdade absoluta. Uma vez que são perfeitamente racionais, moralmente perfeitos e oniscientes, eles vão escolher livremente o certo e recusarem qualquer tipo de mal.  Se Deus é absolutamente livre e, assim, sua liberdade é relevante e significativa, a mesma coisa se dá pelos seres do mundo A. Portanto, suas escolhas, como amar e adorar a Deus e os outros deuses, são relevantes e não determinadas por qualquer coisa senão eles mesmos. Assim, os deuses certamente merecem sua existência feliz uma vez que eles próprios livremente escolheram todas as escolhas certas.

Mas o crítico poderia insistir denunciando que sua onisciência e perfeição moral facilitaram muito a sua escolha. Adquirir conhecimento, poderia argumentar o crítico, deve exigir muito trabalho duro. São bens tão valiosos que devem exigir muito trabalho duro. Mas este tipo de argumento supõe que a aprendizagem e algo intrinsecamente bom, um argumento já rejeitado acima.

Sim, é algo certo que os melhores valores podem ser alcançados exclusivamente pelo trabalho duro em nosso mundo. Mas como eu já disse, isso só ocorre pela imperfeição do mundo decorrentes de sua imperfeição e no qual precisam ser superados. Esta objeção se baseia no estado  nosso mundo, e não em um cenário do melhor mundo possível.

Por que o crítico deveria assumir que o melhor caminho é conquistar esses valores com o trabalho duro? É o conhecimento que importa, não como foi adquirido. O AEND também recebe um apoio bíblico contra O1. Em Ezequiel 28:12 somos informados que Deus criou Lúcifer "cheio de sabedoria.  Como o  conhecimento do que é verdadeiro é que importa, não existe nada de errado em Deus dar uma coisa tão boa para suas criaturas. Por que dar conhecimento perfeito para suas criaturas seria indesejável? [17]

Objeção 2 (02). Robert M. Adams desafia a suposição que um ser perfeitamente bom teria que criar um mundo perfeito. Empregando o conceito de "graça divina", que é considerado uma virtude judaico-cristã, Adams expõe a visão de que mesmo se Deus escolha criar um mundo menos perfeito, isso não acarreta em nenhum defeito moral. Isso porque Deus ainda gosta de suas criaturas devido a sua graça, no qual é definido como "Uma disposição para amar algo ou alguém independente do mérito da pessoa amada. [18] Portanto, a primeira premissa do AEND não é necessária, se Adams estiver certo.

Resposta:  William Hasker salientou que, mesmo mesmo se optar criar um mundo inferior não indica uma falha moral por parte de Deus, Ele ainda teria boas rezões para preferir o melhor mundo possível:

Ao contrário de Adams, acredito se for provado que Deus poderia ter feito um mundo melhor, seriamos pressionados a admitir que Ele deveria ter criado isso do que nosso mundo atual. O problema não é que Deus é obrigado a fazer o mundo melhor.... Todavia eu acho que seria muito difícil um ser infinitamente racional fazer tal ação. Que possível razão Deus poderia ter criado um mundo inferior, em vez de um melhor? O conceito de graça divina não fornece nenhuma razão do porquê Deus iria escolher um menos perfeito em vez do mais perfeito. Como alegou Mark Thomas, a noção de graça divina é neutra no que diz respeito ao mundo no qual Deus cria. Ele não fornece nenhuma razão para defender um Deus perfeito no qual não queria criar o melhor possível. [19]

William Rowe reforça esse ponto:

O amor dos pais pela suas crianças existe independente de qualquer talento que a criança é capaz de desenvolver, ou ainda a característica física e mental. Mas de qualquer forma, tal amor é consistente com a perspectiva de que o filho vai nascer sem nenhum defeito. Os pais querem que o futuro filho nasça com a mesma capacidade dos outros, desenvolvendo gosto pela boa leitura, música, etc. Da mesma forma, Deus graciosamente iria amar qualquer criatura que ele criasse, mesmo não sendo as melhores criaturas possíveis. Contudo, isso não exclui que Deus teria uma preferencia em criar criaturas perfeitas do que as não perfeitas, nos quais não teriam apenas uma boa vida, e sim uma vida grandiosa por sempre livremente se desenvolverem como "filhos de Deus". [20].   

Voltando a primeira premissa do AEND, mesmo se Deus adorasse qualquer tipo de criação, Ele ainda teria motivos suficientes para criar apenas deuses. Pais carinhosos claramente ainda prefeririam ter um filho saudável, independente se amassem qualquer tipo de filho. Com Deus não seria diferente. Assim, o conceito de Adams não mostra a falsidade do AEND.

Embora isso já baste para rejeitar o argumento de Adams, é interessante notar que na tradição judaico-cristã, Deus se arrependeu de ter criado o mundo B. Gênesis 6:5-6 descreve: E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. Nem mesma a graça divina foi capaz que ele amasse suas criaturas, e tão pouco salva-las, visto que no próximo versículo Ele destruiu-lhes: Disse o Senhor: " Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, os homens e também os animais, grandes e pequenos, e as aves do céu. Arrependo-me de havê-los feito". Como um Deus perfeito iria querer evitar esse tipo de decepção antecipadamente, desde do inicio iria criar o mundo A para nenhum habitante o desaponta-lo, isso em vez de experimentar todos os mundos possíveis.

Objeção 3 (03): Na verdade, Deus criou um mundo perfeito. De acordo com Gênesis 01:31:" E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se tarde e a manhã; esse foi o sexo dia ". Além disso, em Gênesis 01:27 lemos: " Então, Deus criou o homem à sua imagem".  No entanto, esse mundo perfeito não existe mais por que seus seres livres escolheram livremente desobedecer a Deus. Assim, o AEND não segue suas premissas porque não existe conflito real entre as premissas. Uma vez que Deus não é responsável pelos acontecimentos no mundo B, logo Deus iria criar um mundo em que vivemos sem nenhuma contradição.

Resposta:  A resposta óbvia é que Deus não criou um mundo perfeito, não importa o quão bom era. Um mundo perfeito por definição deve ser sempre perfeito. Um mundo "perfeito" que se torna imperfeito nunca foi perfeito em primeiro lugar. Mesmo que foram criado sem pecado, Adão e Eva certamente eram muito diferentes dos deuses que Deus criaria. Se eles fossem oniscientes e moralmente perfeitos, teriam sabido que a serpente era o diabo, e ele queria prejudicar ambos oferecendo o fruto proibido. E se o fruto proibido era da árvore do bem e do mal, na verdade eles nem sabiam a diferença básica entre o bem e o mal. Assim, é óbvio que Adão e Eva não eram oniscientes. Portanto, os seres criados em Gênesis não eram perfeitos, e sim extremamente imperfeitos do ponto de vista epistêmico.

Michel Martin destaca as diferenças entre Deus e os seres humanos: Não é claro em que aspectos Deus criou os seres humanos em sua imagem e semelhança, pois os dois tem gritantes diferenças. Deus não tem nenhum corpo, os homens tem; Deus não pode pecar, os homens sim; Deus é infinitamente forte, os seres humanos são fracos, etc. [21].

Olhando bem, se Deus iria criar algo à sua imagem, Deus iria escolher criar um ser infinitamente forte, no qual não pode pecar, não tem corpo, entre outros exemplos. Assim, Gênesis 01:27 parece fortalecer o AEND, ao invés de O3.

Objeção 4 (04): Em Êxodo 20:4-6 lemos ": Não Farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles  nem prestarás culto, por que Eu, o Senhor, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceiro geração e quarta geração daqueles que me desprezam". O argumento não segue por que Deus "inveja" outros deuses, e ele não iria querer criar outros deuses por causa disso.

Resposta: Os versos acima geralmente são interpretados como uma proibição divina em fazer ídolos e adorando-os em vez de Deus. Ele não pode ter alguma inveja de outros deuses ou ídolos, pois isso seria uma falha de perfeição moral. Em vez de seus filhos amorosos adorarem seres inexistentes, como outros deuses pagãos, a moral da história é que Deus quer que seus filhos apreciem seu verdadeiro criador. Contudo é exatamente isso que ocorre no mundo A: cada habitante do mundo iria amar e apreciar Deus e nunca seriam iludidos por amar algo inexistente.

Mas talvez o contra-argumento aqui é que Deus deixaria de ser exclusivo se criasse outro ser perfeito. Mas existe uma grande diferença entre Deus e os deuses: Deus existe por definição necessariamente e é o criador de todos os outros. Sendo perfeitamente racionais e oniscientes, os deuses saberiam disso e reconheceriam Deus por esses fatores.

Objeção 5 (05): Deus tem uma razão boas mas desconhecido para preferir o mundo B em vez de A, mas nossa mente limitada não consegue entender essas razões.

Resposta: Se Deus é moralmente perfeito, ele apenas escolheria o mundo B em vez de A se isso resultasse em algo melhor do que A. Mas o mundo A já contém tudo o que Deus poderia querer de suas criaturas, pois já existe a suprema felicidade, o amor completo e a harmonia entre seus habitantes, a inexistência de sofrimento e a reconhecimento total de suas criaturas. Nem mesmo o céu - onde os crentes esperam encontrar a felicidade suprema e eterna, oferece nada mais do que o encontrado no mundo A. No entanto, no mundo de deuses cada ser pessoal já tem garantido a felicidade infinita, e nenhum deles precisou passar por qualquer sofrimento, nem mesmo para uma quantidade limitada de tempo ( ao contrário dos habitantes do mundo B). O mundo perfeito é superior a B mesmo se nele existe um lugar de felicidade infinita para alguns de seus habitantes. Portanto, é irracional acreditar que poderia haver algum motivo desconhecido possível no qual Deus prefere o mundo B em vez de A.

Conclusão

Eu argumentei que se o Deus teísta tradicional existe, então o mundo real não existiria. Deus escolheria apenas realizar um mundo que contém outros deuses que possuam cada um dos seus atributos, menos a existência necessária. Esse mundo denominei como mundo A. E já que não existe nada logicamente impossível no mundo A, Deus poderia ter  o criado.  Esse mundo é perfeito, sem qualquer defeito de qualquer tipo. Desde que o mundo atual não se assemelha ao mundo A, pois contém muitos defeitos, segue-se que o Deus do teísmo tradicional não existe. [22]

NOTAS (em inglês)

[1] Some readers might wonder if a being that does not exist necessarily should still be called "God." It seems to me that we are fully justified in using the label "God" to name a being that exists contingently but is still personal, omnipotent, omniscient, omnibenevolent (morally perfect and all-loving), perfectly rational, completely free, immutable, and eternal. After all, in ancient Greek, Scandinavian, or Roman religions, beings with far less impressive features are called "gods." And even if the contingently existing being just described should not be considered a deity, it would certainly be "god-like." AEND could thus just as well be described as "The Argument from the Existence of Non-Godlike Beings" since human beings, animals, and plants are still far from godlike.

[2] Nicholas Everitt, "The Argument from Imperfection: A New Proof of the Non-Existence of God," Philo, Vol. 9, No. 2 (2006): 113-130, p. 128.

[3] In "The Argument from Physiological Horrors" (2003) on the Positive Atheism website, I argued that the existence of aesthetic ugliness provides good grounds for thinking that God does not exist.

[4] David Benatar, Better Never to Have Been: The Harm of Coming Into Existence (New York, NY: Oxford University Press, 2006), p. 30.

[5] See, for example, Voltaire's satire Candide (1759).

[6] Assuming, for the sake of argument, that God would have good reasons to actualize world C, AEND would fail. However, it is worth noting that world C is a devastating possibility for all three of the major monotheistic religions (Judaism, Christianity, and Islam) since it includes a multitude of gods.

[7] I owe this point to an anonymous reviewer, who also provided the formalized version of the argument from imperfection.

[8] See David B. Myers, "New Design Arguments: Old Millian 
Objections," Religious Studies, Vol. 36, No. 2 (2000): 141-162.

[9] John Mackie, "Evil and Omnipotence," Mind, Vol. 64, No. 254 (April 1955): 200-212, p. 209.

[10] See, for example, Richard Schoenig, "The Free Will Theodicy," Religious Studies, Vol. 34, No. 4 (December 1998): 457-470.

[11] See, for example, J. L. Schellenberg, "The Atheist's Free Will Offence," International Journal for Philosophy of Religion, Vol. 56, No. 1 (August 2004): 1-15.

[12] Theodore M. Drange, Nonbelief and Evil: Two Arguments for the Nonexistence of God (Amherst, NY: Prometheus Books, 1998), p. 36.

[13] See my response to the third objection in my "The Argument from Insufficient Knowledge of the Bible for the Nonexistence of the God of Christianity" (2005) on the Secular Web.

[14] See also Ryan Stringer, "Arguments from Perfection" (2011), Section IV on the Secular Web.

[15] Nicholas Everitt, "The Argument from Imperfection: A New Proof of the Non-Existence of God," p. 119.

[16] Ralph C. Wagenet, "The Coherence of God: A Response to Theodore M. Drange" (2003), "Definitions and Comments" section, on the Secular Web.
[17] In "Why the Abundance Theory of Creation Fails" I argued that God has to create fallible beings (like humans) in need of salvation through a divine act of complete selflessness. Some readers might think this is inconsistent with the position taken here that God should actualize only world A, even though it doesn't contain any fallible beings. But this misses the point of "Why the Abundance Theory of Creation Fails," which argues that in a world where only God exists, unconditional self-sacrifice for the benefit of another would be impossible, and so God's love could not attain perfection. If the argument succeeds, a perfect God cannot exist because God either lacks something valuable (moral perfection) or depends on something outside of himself (human beings). Since AEND assumes that an existent perfect being is possible, I will ignore the aforementioned argument and concede here for the sake of argument that lacking the possibility of self-sacrifice does not infringe upon God's perfection. I will also ignore Nicholas Everitt's argument that God would not create any contingently existing things in his "The Argument from Imperfection" for the same reason.

[18] Robert M. Adams, "Must God Create the Best?" Philosophical Review, Vol. LXXXI [81], No. 3 (1972): 317-322, p. 324.

[19] William Hasker, The Triumph of God over Evil: Theodicy for a World of Suffering (Strategic Initiatives in Evangelical Theology) (Downers Grove, IL: InterVarsity Press Academic, 2008), p. 83.

[20] William Rowe, "Divine Freedom," 5. Alternatives to creating the best possible world," in the Stanford Encyclopedia of Philosophy.

[21] Michael Martin, the Fernandes-Martin Debate (1997), Dr. Martin's Second Statement, "Response to Misunderstandings of Atheism," transcribed on the Secular Web.

[22] I am indebted to an anonymous reviewer for making valuable and helpful suggestions on an earlier version of the paper. I also thank Keith Augustine for providing useful comments and giving this paper a suitable form for publication.



Fonte (internet infidels): O argumento da existência de não divindades (em inglês).

Um comentário:

  1. Estou trabalhando em uma tradução autorizadA deste artigo. No mais, tem outro artigo do Horia Plugaru, o qual já traduzi (Também autorizado) que se chama a Irrelevância do Ajuste-Fino que consiste um uma refutaçção puramente filosófica do Fine-Tuning. Se quiser dar uam olhada, está por enquanto neste link (Pretendo e vou trabalhar em mais traduções, pois o site da Secular Web tem altíssimo nível e o Brasil está precisando seriamente de artigos de tal nível.: https://www.facebook.com/ateismoavancado/posts/639145372776954

    Alberto

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