É racional militar pelo ateísmo ?



Com a popularidade do neo-ateísmo, muitos religiosos (e até alguns descrentes) tem questionado se militar pelo ateísmo é uma escolha racional. Imagine se algumas pessoas que não torcem pelo cruzeiro resolvem criar um fã-clube para não torcedores da raposa mineira, isso não seria uma escolha ilógica? Por que gastar tempo e energia em algo que não acredita ? Da mesma forma, o ateísmo seria a negação da existência de Deus. É coerente militar por uma coisa que não existe?

Essa ideia parte de alguns princípios errôneos. O primeiro deles é avaliar o ateísmo apenas como uma preposição exclusivamente negativa.

Imagine que na final da Copa do Brasil entre Flamengo e Atlético Paranaense eu negue que o caneco deste ano vá para o Paraná. Eu apenas estou afirmando uma posição negativa? Obviamente não! Negar a vitória do Atlético Paranaense implica em uma vitória do Flamengo. Eu aposto na vitória do rubro-negro carioca. Da mesma forma, quando se nega a existência de Deus, estou afirmando várias preposições positivas, entre elas:
  • A teocracia não é uma forma de governo válida. Se Deus não existe, qualquer principio que misture religião com política vem de concepções erradas sobre a natureza do mundo. Homossexuais não podem casar no cartório porque Deus não deixa? O aborto deve ser proibido porque entra em conflito com as escrituras? O ateísmo deve ser banido porque é reprovado pelo pai celestial? Nada disso é embasado racionalmente enquanto não houver outros tipos de argumentos. A forma de governo mais justa seria então um estado laico, o qual não favorece nenhuma religião. Infelizmente alguns ateus viram a favor do laicismo e querem acabar com as religiões ao invés de não favorece-las. É importante respeitar as religiões mesmo não acreditando na veracidade delas e reprovando vários de seus dogmas. O estado laico serve para impedir a teocracia, não acabar com as religiões nas esferas públicas.
  • Provavelmente a causa do universo é natural, assim como toda as causas e efeitos depois do Big Bang. Na verdade isso não é uma consequência necessária quando se admite a inexistência de Deus, e sim a condição mais probabilisticamente correta. Nada impede um ateu em acreditar no sobrenatural, mas quando negamos que o mais importante ser sobrenatural não existe na realidade, que justificativas temos para acreditar no demais? Tanto que até hoje não encontrei nenhum ateísta crente no sobrenatural. O naturalismo metafísico sempre implica no ateísmo, e muitas vezes o ateísmo implica o naturalismo metafísico (uma afirmação positiva: O universo é uma cadeia fechada com causas e efeitos puramente naturais) .
Também acho estranho esse argumento vindo de alguns cristãos. Se os criacionistas não acreditam na evolução, por que tentam refuta-la? Se os apologéticos cristãos não acreditam no naturalismo metafísico, qual o motivo de atacar algo que não existe? Craig, Swinburne, Plantinga e outros filósofos cristãos lutam por uma causa irracional?

Muitas causas podem ser extraídas desses dois pontos. Desde de demonstrar a veracidade da evolução biológica até lutar pela aprovação da pl122. Militar pelo ateísmo é racional sim senhor.

Talvez a única crítica o qual eu concordo é o fundamentalismo. Muitos ateus tem seguido uma militância de ódio e difamação contra as religiões. Devemos fugir desse caminho que apenas desemboca para a discórdia e o fundamentalismo. É preciso defender nosso ponto de vista de forma limpa e respeitando o próximo.

Um comentário:

  1. É racional saber os limites de ambos também, ateísmo e teísmo (Só o que acho).

    ResponderExcluir